sábado, 29 de outubro de 2011

Hino à Ísis



HINO À ÍSIS
Porque sou eu a primeira e a última
Eu sou a venerada e a desprezada
Eu sou a prostituta e a santa
Eu sou a esposa e a virgem
Eu sou a mãe e a filha
Eu sou os braços da minha mãe
Eu sou estéril, e os meus filhos são numerosos
Eu sou a bem casada e a solteira
Eu sou a que dá à luz e a que jamais procriou
Eu sou a consolação das dores de parto
Eu sou a esposa e o esposo
E foi o meu homem quem me criou
Eu sou a mãe do meu pai
Sou a irmã do meu marido
E ele é meu filho rejeitado
Respeitem-me sempre
Porque eu sou a escandalosa e a magnífica

Hino a Ísis, século III ou IV (?), descoberto em Nag Hammadi

domingo, 16 de outubro de 2011

Idolatria e Desespero


Correndo na contramão;
Procurando por respostas
Sobre a dor que ninguém sentiu.
... A água que não fluiu.
O sangue despercebido;
Auto-flagelo.
O morto esquecido.
Vendo o fechar das portas;
De algo tão singelo...
... Mas quem viu?
O sacrifício em vão
Da inocência que nunca existiu.
Idolatrada e desesperada;
Sedenta de compaixão
Aguarda no silêncio eterno;
Enfim, encontra a liberdade.
Mas a corrupção a perverteu...
... Então percebe que é tarde.

Daiana Michaelsen Mergener

Imensidão sem Definição


Admirando o céu estrelado
Indago sobre as perspectivas...
...De uma nave me levar
... Para nunca mais voltar.
Onde o nascimento não condena.
Avistar novas dimensões;
Descobrir novas linhas, não tênues,
Outras sensações.
Muito além dos próximos verões.
Sem protocolos a cumprir
Nada de restrições a afligir.
Liberdade sem definições.
Outras auras nas mesmas situações.
Memórias nulas de amores antigos;
Inimigos perdidos e amigos vendidos.
Livre, sem amarras...
... com sinceras iniciativas.
Doces melodias;
Que embalam até o raiar do dia.
E se um dia voltar,
Será com o espírito leve;
Pronto para outros estereótipos
Sempre a serem cumpridos.
Novos valores
serão abolidos.
Novas utopias.
Êxtase de quem as vivencia.

Daiana Michaelsen Mergener